Noticia publicada por Daniele Bragança do site: www.oeco.org.br

Durante o processo de recuperação de alguma área degradada de floresta, a
plantação de plantas, como bromélias, cactos e orquídeas, pode ajudar
no processo de recuperação da paisagem fragmentada. A conclusão é
resultado da dissertação de mestrado da bióloga Marina Melo Duarte,
trabalho desenvolvido na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq)da USP, em Piracicaba, sob orientação do professor Sergius Gandolfi, do Departamento de Ciências Biológicas.
Normalmente, o processo de restauração florestal começa com a inserção
de árvores na área a ser recuperada. De acordo com a bióloga Marina Melo
Duarte, pesquisadora no programa de Pós-Graduação em Recursos Florestais da Esalq, esse processo nem sempre é suficiente para recuperar a biodiversidade da floresta.
Parte da solução está no transplante de espécies de epífitas – espécies
de plantas que habitam em árvores – para troncos de árvores de florestas
em processo de recuperação ecológica. Essas espécies de plantas atuam
na ciclagem de nutrientes, além de serem boas armazenadoras de água e
fornecedores de microambientes, com flores e frutos. Por causa destas
características, podem ser usadas no processo de recuperação ecológica.
Marina analisou duas florestas com 13 e 23 anos de processo de
restauração, a primeira localizada em Santa Bárbara D’Oeste (SP) e a
última em Iracemápolis (SP) e concluiu que o sucesso do processo, ocorre
principalmente quando os transplantes eram realizados no inicio da
estação chuvosa
Segundo a pesquisadora:
“As duas florestas analisadas em
processo de restauração se mostraram permeáveis ao enriquecimento com
epífitas, mostrando taxas de sobrevivência das mesmas (para todas as
espécies estudadas) acima de 55% dos indivíduos, 1 ano após o
transplante.
Respostas de sobrevivência, fixação, propagação vegetativa e reprodução
sexuada das epífitas variaram significativamente de acordo com as
espécies das próprias epífitas, mas não variaram significativamente de
acordo com espécies de forófitos (árvores sobre as quais as epífitas
crescem) ou suas rugosidades de casca e, apenas em algumas espécies e em
algumas situações, variaram significativamente de acordo com o grau de
cobertura de dossel no ponto da floresta onde foi feito o transplante”, disse Marina por e-mail a ((o))eco.

Foram analisados os transplantes de 360 indivíduos de seis espécies de epífitas, pertencentes às famílias Bromeliaceae (Aechmea bromeliifolia e Tillandsia pohliana), Orchidaceae (Catasetum fimbriatum e Rodriguezia decora) e Cactaceae (Lepismium cruciforme e Rhipsalis floccosa).
Segundo a pesquisa, as taxas de sobrevivência das diferentes espécies de
epífitas foram superiores em floresta mais jovem, variando de 63,33 a
100%, enquanto em floresta mais madura variaram entre 55,17 e 89,66%.
“Contudo, os fatores que possivelmente mais influenciaram os resultados
observaram não foram as idades das florestas, mas a época do transplante
(seca ou chuvosa) e o método de fixação das plantas (uso de fibra de
palmeiras junto a barbante de sisal se mostrou eficiente)", esclarece
Marina.
Desmatamento: banco de epífitas
Apenas no estado de São Paulo, são desmatados legalmente mais de 500
hectares de florestas em diferentes estágios de regeneração. De acordo
com a pesquisa – que foi realizada com apoio da Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) – o desmate ocasionado por
obras de grande infraestrutura pode tornar disponível material para ser
empregado em outras florestas em estágio de recuperação.
“Na prática, a pesquisa tem bastante aplicação, principalmente para
auxiliar decisões sobre o que fazer quando se tem grande quantidade de
material (epífitas) disponível a partir de desmatamentos, sobre como
destinar esse material de forma mais eficiente”, afirmou Marina.
Marina ressalta que a pesquisa não vale para qualquer tipo de epífita.
“No estudo foram usadas seis espécies de epífitas e elas responderam de
formas diferentes aos parâmetros analisados. Contudo, os resultados são
otimistas porque, mesmo se usando seis espécies de epífitas de três
famílias diferentes, os transplantes para todos foram considerados bem
sucedidos”, finaliza.
Fonte:
"http://www.oeco.org.br/fauna-e-flora/27273-transplantes-de-bromelias-ajudam-na-restauracao-ecologica"
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